Sobre ódios e bolhas em redes sociais digitais: as pessoas realmente lêem o que é compartilhado no Facebook? (#1)

Publicando

Esse é o primeiro de uma série de artigos que vou escrever sobre a produção de conteúdo digital em plataformas gratuitas para compartilhamento em redes sociais digitais. Não vou me aprofundar em aspectos técnicos ou de marketing, pois julgo que esse tipo de informação é extensivamente coberto, como uma pesquisa simples no Google demonstra. Meu objetivo é oferecer uma amostra do que aprendi ao longo dos últimos quatro anos, dedicados ao doutorado na Faculdade de Saúde Pública da USP, estudando comunidades online com temática de doença. Não só com o estudo em si, mas também com as diversas comunidades com as quais me deparei nesse tempo. Somo a esse aprendizado minha própria trajetória profissional: em mais de vinte anos como jornalista, acumulei experiências que vão da assessoria de imprensa à edição de livros.

Há cerca de quatro anos, um pesquisador acadêmico, estudioso de redes sociais digitais, decretou em seu perfil de Facebook: “Precisamos falar sobre o ódio na internet”. O cenário na rede social digital então mais popular no Brasil estava tomado de usuários que chegavam aos extremos em discussões políticas, e que terminaram, em muitos casos, em rompimentos reais, de amizades de longa data e entre familiares. De lá para cá, as pessoas parecem ter aderido em massa ao botão de bloqueio quando os comentários ameaçam ficar ácidos demais, o que resultou em timelines limitadas em termos de diversidade de opiniões. Some-se a isso o receio que a grande maioria tem de expressar suas opiniões e o próprio algoritmo do Facebook, que também traz limitações de alcance, e o resultado serão usuários enfastiados de ler sempre os mesmos assuntos das mesmas pessoas.

Para driblar essa limitação, volta e meia espalha-se pelo Facebook uma mensagem-padrão na qual o usuário explica brevemente como estimular mais pessoas a interagir entre si, com a recomendação expressa de que seja feito um comentário, ainda que através de figurinhas ou gifs, e não somente com reações. Interagir sempre com as mesmas pessoas, além da monotomia, incorre em outras duas questões, em função do reconhecimento de padrões de comportamento: a manipulação de conteúdo, visando à maior audiência, e o condicionamento em repetir publicações com a mesma natureza das que “deram certo”. Não raro, se alguma publicação “não dá certo” – flopa – o que significa que ela não conquista a repercussão esperada/pretendida, ela é excluída.

Tenho uma experiência que considero bem-sucedida com o compartilhamento de conteúdo em Facebook (www.meunomenai.wordpress.com) e uma em andamento (www.artetransformacaoidentidade.wordpress.com). O que chamo aqui de compartilhamento de conteúdo é a publicação, em meu perfil pessoal, de postagens que incluo em um blog desenvolvido na plataforma gratuita WordPress (há também a opção de fazer o upgrade da ferramenta, que nunca usei). A experiência que considero bem-sucedida refere-se a um blog de divulgação científica que obteve grande repercussão entre grupos interessados em temáticas relacionadas a deficiência, educação e inclusão. Desta experiência, carreguei o reconhecimento de alguns membros que se dedicam ao estudo e divulgação dos temas, e foi a eles que recorri, em primeiro lugar, quando decidi novamente me dedicar à produção de conteúdo digital. Fiz isso por três razões principais:

1)     A produção de conteúdo por uma única pessoa é exaustiva

2)     Contribuições assinadas e/ou com indicação de fonte conferem credibilidade ao conteúdo e ao blog, através do reconhecimento da rede de contatos do colaborador e da própria fonte

3)     A audiência do colaborador-fonte expande a própria audiência do site, imediata e futura, uma vez que apresenta o teor das publicações e os interesses do autor do blog a pessoas que podem se identificar com eles.

Cabe aqui, então, a pergunta que apresento no título deste artigo: as pessoas realmente lêem o que é compartilhado no Facebook? Sim e não, acredito eu. Muita gente se informa através – por vezes somente­ através – do Facebook. Por outro lado, muita gente lê apenas o título da postagem, por vezes as primeiras linhas, e tira suas próprias conclusões a partir daí. Deixo para especialistas no assunto o mérito de explicar técnicas de SEO e otimização de postagens, e volto minha atenção para o campo da Ciência da Informação, com o qual me identifico, por ter cursado o mestrado na área, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Supomos que caso as dicas de SEO e otimização de postagens sejam seguidas, o autor do blog tem mais chances que um leitor/seguidor em potencial chegue até sua página. Uma vez lá, ele poderá também navegar por essa página, e o que faz com que isso aconteça, além de um layout agradável e amigável, é a arquitetura da informação. Categorias, etiquetas, nuvens de tags, botões de seguir, menus, são itens que devem ser planejados previamente e revistos constantemente, à medida que o próprio blog se transforma ou que as estatísticas apresentam, ou não, os resultados esperados. Elaborar uma linha editorial, ou ao menos refletir sobre a abordagem mais interessante para as postagens, de acordo com a finalidade do blog, é um passo importante tanto para o planejamento quanto para as revisões.

A elaboração da linha editorial, aliada a uma estratégia de divulgação, é o foco de meu próximo artigo. Comentários são sempre bem vindos 🙂

Um comentário em “Sobre ódios e bolhas em redes sociais digitais: as pessoas realmente lêem o que é compartilhado no Facebook? (#1)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s